13ª Reunião de Oncologia da APFH | Highlights

A Associação Portuguesa de Farmacêuticos Hospitalares proporcionou através da 13ª Reunião de Oncologia da APFH o encontro de mais de duas centenas de colegas das diferentes partes do país, na cidade costeira de Peniche.



Ao longo dos dias 12 e 13 de maio, os participantes tiveram a oportunidade de expandir os seus conhecimentos numa jornada de sessões e atividades direcionadas ao Farmacêutico Oncológico, explorando temas científicos inovadores, com espaço para a troca de experiências e partilha de boas práticas.

A Comissão Organizadora da 13ª Reunião de Oncologia da APFH completou as sessões do programa científico, com questionários, um quiz farmacêutico e salas interativas de recolha de ideias para a construção de um "Plano de implementação da consulta farmacêutica".

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Não esquecendo o nosso foco, o doente, a APFH lançou um repto a várias associações de doentes oncológicos que se fizeram representar através de vídeos, refletindo as necessidades dos grupos de doentes que representam, bem como a importância do Farmacêutico para os mesmos. Os vídeos foram o mote para uma reflexão sobre a importância da humanização dos cuidados farmacêuticos centrados no doente: o impacto dos gestos, do toque, do olhar, da comunicação, do comportamento e comprometimento. Destacou-se a necessidade de perceber o que pensam os doentes sobre os cuidados que lhes são prestados e ainda no contexto da humanização, não foi esquecida a dor dos profissionais e as questões psicossociais, nomeadamente o "burnout", as competências digitais, os cuidados de proximidade e o envolvimento do doente na equipa multidisciplinar e nas decisões.

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Na era dos "Big Data", o novo paradigma de geração de dados em saúde procura completar as informações obtidas em ensaios clínicos randomizados com dados de vida real, facilitando a tomada de decisões. Este processo obriga a uma adaptação e mudanças de mentalidade. Nesta reunião, discutiu-se a capacidade de adaptação do farmacêutico hospitalar para abarcar esta nova era de informação.  Como podemos otimizar a informação e permitir a utilização destes dados para suportar decisões ao longo do ciclo de vida do medicamento. Promoveu-se a partilha de algumas iniciativas a nível nacional que visam o uso de dados de vida real no apoio à tomada de decisão. Estas, reforçaram a importância do valor de uma gestão adequada dos dados em saúde sendo que o papel dos farmacêuticos hospitalares se revela da maior importância.

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No âmbito da personalização da terapêutica, promovemos uma atualização nos estudos genómicos disponíveis e que estão preconizados, tendo cada vez mais preponderância na abordagem diagnóstica e adequação da terapêutica. Ainda neste âmbito, a monitorização farmacocinética permite ajustar a dose e otimizar os resultados do doente, sendo de extrema importância nos medicamentos com margem terapêutica estreita, quando existe variabilidade farmacocinética inter e intraindividual, quando está estabelecida a relação concentração-efeito e quando as informações sobre as concentrações do medicamento são úteis para a gestão clínica. Com vista a impulsionar a monitorização farmacocinética em oncologia, foram explorados os seus fundamentos e partilhada a experiência ibérica, através da partilha de casos clínicos.

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Um tema muito comentado foi a revolução do microbioma intestinal. Nesta reunião, debateram-se as causas e implicações da perturbação do microbioma normal, nomeadamente a sua influência nas terapêuticas oncológicas, dando como exemplo o Cancro Colorretal, da Mama e do Pulmão. Concluiu-se que a microbiota intestinal pode ser um novo alvo terapêutico para melhorar os resultados dos tratamentos oncológicos.

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Atualmente, assistimos a um aumento do número de opções terapêuticas antineoplásicas de administração oral. Esta mudança de paradigma trouxe uma maior conveniência para os doentes, mas também grandes desafios: a autogestão da medicação, a polifarmácia e as interações medicamentosas, que reforçam a necessidade da monitorização destes doentes, nomeadamente com a Consulta Farmacêutica. Neste âmbito, foram partilhadas várias experiências de consultas farmacêuticas em projetos multidisciplinares, tomando como exemplo o Cancro do Ovário, da Próstata e do Pulmão e destacando a importância da gestão das reações adversas e da pesquisa de potenciais interações.

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Carcinoma do Pulmão de Não Pequenas Células (CPNPC) em estadio IV, sem mutações em alvos terapêuticos específicos, sofreu uma enorme revolução com a introdução dos inibidores de checkpoint imunitário. No CPNPC wild-type (wt) PD-L1≥50% a terapêutica preconizada é a utilização de inibidores do eixo PD1/PD-L1 em monoterapia. Foi realizada uma revisão da evidência científica dos fármacos já disponíveis neste contexto no que diz respeito ao mecanismo de ação, ensaios, medidas de eficácia e perfil de toxidade.

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Em relação ao Cancro da Mama e Cancro Gástrico, foram recordados os conceitos fundamentais dos medicamentos em uso, mecanismo de ação, características farmacológicas, indicações e posologia, fazendo a ponte para a aplicação na prática clínica, através da apresentação de casos clínicos e de ferramentas que permitem avaliar e economizar o tempo e os recursos em farmácia hospitalar. Foi destacado o papel do farmacêutico no circuito do medicamento, desde a sua introdução no hospital até à Farmacovigilância, gestão de reações adversas e educação do doente, numa perspetiva de colaboração multidisciplinar.

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Na área da Hematologia, foram apresentados os dados mais relevantes sobre os benefícios das terapêuticas inovadoras. Foi também promovido o debate sobre o papel do farmacêutico no Mieloma Múltiplo, abordando-se a fisiopatologia, a caracterização da população portuguesa afetada e as opções terapêuticas disponíveis. Foi incitada a troca de ideias sobre o acompanhamento e identificação de necessidades por preencher dos doentes não elegíveis a transplante, e dos critérios relevantes para a escolha e manutenção do tratamento farmacológico que melhor responde a essas necessidades.

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Foram também exploradas as novas abordagens no tratamento do Carcinoma Hepatocelular avançado: terapias-alvo, imunoterapia e estratégias combinadas. Refletiu-se sobre a evolução das opções terapêuticas, desde poucas alternativas até um leque diversificado de tratamentos sistémicos, sobre a influência da complexa fisiopatologia, a importância dos biomarcadores, co-morbilidades e o microambiente tumoral na seleção e eficácia das terapêuticas. Foi feita uma revisão das abordagens terapêuticas inovadoras e sequências de tratamento que podem melhorar os resultados e eventualmente superar a resistência ao tratamento.

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Numa perspetiva de revisão do estado da arte, abordou-se ainda a incidência do cancro urotelial, a sua epidemiologia, as diferentes estratégias utilizadas no tratamento, de acordo com a histologia, grau e nível de invasão, assim como o papel da patologia/biologia molecular no tratamento e no recurso à utilização de imunoterapia e terapêuticas-alvo, de forma a reduzir a recorrência do cancro e a aumentar a sobrevida.


Por fim e sem esquecer a Secção 3 das Declarações Europeias de Farmácia Hospitalar (Produção e Preparação), discutimos os sistemas fechados de transferência de medicamentos. Para além de reduzirem a contaminação e aumentarem a segurança na preparação, alguns estudos admitem a possibilidade de aumentarem a estabilidade após abertura de alguns medicamentos, contribuindo para a redução do desperdício. Contudo, as vantagens económicas da sua utilização ainda são controversas e a ausência de regulamentação específica sobre a sua utilização e eficácia dificulta a interpretação da informação disponível e a seleção mais adequada.

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Estabelecemos nesta Reunião a ponte entre a investigação e a evidência da prática clínica, partilhámos as oportunidades de uma farmácia oncológica personalizada a cada doente e destacámos a importância da comunicação e do envolvimento do doente. Um programa assente nas 6 secções das Declarações Europeias de Farmácia Hospitalar que permitiu juntar os participantes numa discussão sobre os temas da atualidade da Farmácia Oncológica.


A APFH agradece a participação de todos os Participantes, de todos os parceiros e de todos os palestrantes nacionais e internacionais, que possibilitaram um conjunto de sessões diversificadas e motivadoras e congratula as Luszinetes, equipa vencedora do 1º QuiZ Farmacêutico da APFH!

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